Duas residências com a mesma área construída podem exigir esforços completamente diferentes de engenharia. Entenda quais características da edificação influenciam o preço de um projeto estrutural e o que observar ao comparar propostas.
Afinal, quanto custa um projeto estrutural residencial?
O preço de um projeto estrutural residencial não depende apenas da área construída. Arquitetura, quantidade de pavimentos, grandes vãos, balanços, condições do terreno, solução de fundações, sistema estrutural, nível de detalhamento, compatibilização com outras disciplinas, prazo e necessidade de revisões também interferem diretamente no trabalho necessário para desenvolver o projeto.
Por isso, para determinar o investimento de uma residência específica, é necessário analisar pelo menos a arquitetura e as principais características da obra.
Por que olhar apenas o preço por metro quadrado pode ser insuficiente?
A área construída é uma informação importante para estimar a dimensão de um projeto, mas ela não representa sozinha sua complexidade.
Imagine duas residências de 300 m².
A primeira é uma casa térrea, de geometria regular, com vãos convencionais e liberdade para posicionamento dos pilares.
A segunda possui dois pavimentos, grandes áreas integradas, pé-direito duplo, balanços, poucos pilares permitidos pela arquitetura e uma piscina posicionada sobre uma área ocupada no pavimento inferior.
Embora ambas tenham os mesmos 300 m², as análises, decisões, compatibilizações e detalhamentos necessários podem ser bastante diferentes.
É por esse motivo que propostas baseadas exclusivamente em um valor por metro quadrado podem não representar corretamente as particularidades de cada projeto.
Quais fatores influenciam o preço de um projeto estrutural?
1. Área construída
Em geral, uma residência maior possui mais elementos estruturais, mais desenhos, maior quantidade de informações e mais situações a serem verificadas.
A área, portanto, continua sendo uma das informações consideradas na elaboração de uma proposta. O importante é entender que ela é apenas um dos fatores.
2. Complexidade da arquitetura
A arquitetura tem influência direta sobre a concepção estrutural. Grandes ambientes sem pilares, balanços, fachadas com geometrias especiais, pé-direito duplo e grandes aberturas podem exigir soluções estruturais diferentes das utilizadas em uma edificação mais regular.
Quanto maiores as restrições impostas à posição e às dimensões dos elementos estruturais, maior tende a ser a necessidade de estudo para encontrar uma solução que preserve as características arquitetônicas.
3. Número de pavimentos
Uma residência térrea e uma residência com dois pavimentos, cobertura utilizável e subsolo apresentam condições estruturais diferentes.
Além do número de lajes e elementos, é necessário analisar como as cargas dos pavimentos superiores serão conduzidas até as fundações e como pilares, vigas e paredes interferem nos diferentes ambientes.
4. Grandes vãos e balanços
É comum em projetos residenciais contemporâneos a busca por salas integradas, garagens com poucos apoios, esquadrias de grandes dimensões e áreas externas com balanços.
Essas decisões arquitetônicas podem modificar significativamente a concepção da estrutura e exigir análises específicas para controlar esforços, deslocamentos e deformações.
5. Condições do terreno e fundações
O projeto estrutural não termina nos pilares. As cargas da residência precisam ser transmitidas adequadamente ao terreno por meio das fundações.
Informações como sondagem, características do solo, topografia e presença de edificações vizinhas podem influenciar a escolha da solução de fundação.
Dependendo das condições encontradas, podem ser estudadas diferentes soluções, como fundações superficiais ou profundas.
6. Sistema estrutural adotado
A solução mais adequada depende das características da edificação. Estruturas em concreto armado, estruturas metálicas e outras soluções apresentam processos de cálculo, detalhamento e documentação diferentes.
Mesmo dentro de um único sistema estrutural, podem existir diferentes alternativas para atender à arquitetura e às condições de execução.
7. Compatibilização com arquitetura e instalações
Estrutura, arquitetura, instalações elétricas e sistemas hidrossanitários ocupam o mesmo edifício. Por isso, decisões tomadas em uma disciplina podem interferir diretamente nas demais.
Um exemplo comum é a necessidade de conciliar vigas com tubulações, shafts, forros, equipamentos e grandes aberturas previstas na arquitetura.
Quando as disciplinas são desenvolvidas e compatibilizadas de maneira integrada, esses conflitos podem ser identificados ainda durante a fase de projeto, antes da execução. Saiba mais sobre a compatibilização BIM e sobre os projetos complementares para residência.
8. Nível de detalhamento da entrega
Um projeto não é composto apenas pelo cálculo dos elementos. Pranchas, cortes, detalhes construtivos, especificações e organização das informações fazem parte da documentação utilizada pela equipe de obra.
O nível de detalhamento previsto no escopo deve ser considerado ao comparar propostas de diferentes empresas.
9. Alterações durante o desenvolvimento
Mudanças significativas na arquitetura depois do início do projeto estrutural podem exigir revisão da concepção, recálculo de elementos e atualização dos desenhos.
Por isso, o estágio de desenvolvimento da arquitetura no momento da contratação também é relevante.
10. Prazo e suporte técnico
O prazo disponível para desenvolvimento e o tipo de suporte previsto durante a execução também podem fazer parte do escopo contratado.
Antes de comparar duas propostas, é importante verificar não apenas o valor final, mas também quais serviços, entregas e condições estão incluídos em cada uma delas.
O que observar ao comparar propostas de projeto estrutural?
Comparar apenas o preço final pode fazer com que propostas com escopos diferentes pareçam equivalentes.
Antes da contratação, vale verificar:
- quais etapas fazem parte do serviço;
- qual documentação será entregue;
- se estão previstas revisões e em quais condições;
- como ocorre a compatibilização com a arquitetura;
- se haverá integração com projetos elétricos e hidrossanitários;
- qual é o prazo de desenvolvimento;
- como funciona o suporte técnico;
- quem será o responsável técnico pelo projeto.
Uma proposta mais completa pode envolver um escopo diferente de outra aparentemente mais econômica. Por isso, a comparação deve considerar o serviço como um todo.
Em que momento o projeto estrutural deve ser contratado?
O ideal é que a arquitetura já possua informações suficientes para permitir uma análise consistente da edificação, mas que ainda exista espaço para ajustes caso a concepção estrutural identifique pontos que possam ser melhorados.
Quando estrutura, arquitetura e instalações começam a conversar cedo, existe mais oportunidade para avaliar alternativas antes que decisões estejam totalmente consolidadas.
Para residências com grandes vãos, balanços, subsolos, piscinas, pavimentos superiores ou outras características estruturais relevantes, essa integração antecipada se torna ainda mais importante.
Como é elaborado um orçamento de projeto estrutural na Carnot?
Para elaborar uma proposta compatível com a obra, a Carnot analisa as informações disponíveis sobre a residência antes de definir o escopo e o investimento.
Entre as informações que ajudam nessa análise estão:
- projeto arquitetônico;
- área construída;
- quantidade de pavimentos;
- localização da obra;
- características arquitetônicas relevantes;
- informações do terreno e sondagem, quando disponíveis;
- disciplinas que serão contratadas;
- prazo desejado para desenvolvimento.
Dessa forma, a proposta pode considerar as características reais da edificação em vez de utilizar apenas uma referência genérica baseada em área.
A Carnot desenvolve projetos estruturais, hidrossanitários e elétricos, com possibilidade de integração entre as disciplinas e compatibilização em BIM. Conheça o nosso projeto estrutural em Teresina e veja alguns dos trabalhos desenvolvidos no portfólio de projetos.