Palestra · BIM · Automação

Produtividade BIM com o Desenvolvimento de Aplicativos

Transformando tarefas repetitivas em soluções inteligentes

Por José de Moura · · 8 min de leitura

Evento
4ª Semana Piauiense de Engenharia Civil
Data
Local
Cinema do Rio Poty · Teresina, PI
Organização
ABENC-PI
Palestrante
José de MouraDiretor Executivo e cofundador da Carnot Engenharia
Diagrama em linhas de cinco tarefas manuais repetidas convergindo para uma ferramenta de automação e resultando em uma única tarefa concluída.

Na Carnot, ferramentas internas para o Autodesk Revit nasceram de tarefas repetitivas do próprio fluxo de projetos. Em algumas rotinas, uma atividade de cerca de 10 minutos passou a levar cerca de 30 segundos. A palestra mostrou como esse tipo de automação surge, como é aplicada e como decidir o que vale a pena automatizar.

Neste artigo
  1. Tecnologia como ferramenta de produtividade na engenharia
  2. Onde o tempo de um escritório de projetos é consumido?
  3. O que significa automatizar um processo BIM?
  4. Como é possível programar no Revit?
  5. Por que a Carnot começou a desenvolver ferramentas próprias?
  6. O que é a Carnot Suite?
  7. Que ferramentas a Carnot desenvolveu? Dois exemplos reais
  8. Automatizando a inclinação de tubulações sanitárias
  9. Agilizando o lançamento de paredes de alvenaria estrutural
  10. O ganho acontece na repetição
  11. Outras aplicações mostradas durante a palestra
  12. Como decidir o que vale a pena automatizar?
  13. Impacto × complexidade
  14. Desenvolver ou comprar?
  15. Qual foi a mensagem principal da palestra?
  16. Sobre o evento
  17. Perguntas frequentes

Como tecnologia, programação e automação podem transformar o fluxo de trabalho de um escritório de projetos de engenharia? Na 4ª Semana Piauiense de Engenharia Civil, José de Moura apresentou exemplos práticos de ferramentas desenvolvidas pela Carnot Engenharia para aumentar a produtividade, padronizar processos e reduzir atividades repetitivas dentro do ambiente BIM.

José de Moura durante palestra sobre produtividade BIM na 4ª Semana Piauiense de Engenharia Civil
Registro da palestra na 4ª Semana Piauiense de Engenharia Civil, em 12 de setembro de 2025, no Cinema do Rio Poty, em Teresina.

Tecnologia como ferramenta de produtividade na engenharia

A mensagem central da apresentação não era ensinar programação. Era mostrar a engenheiros civis e estudantes que tecnologia pode ser usada como ferramenta para tornar um escritório de projetos mais produtivo.

A realidade de um escritório de engenharia é conhecida: projetos cada vez mais complexos, grande volume de informações, prazos reduzidos, tarefas que se repetem e a necessidade de manter consistência entre projetos e entre profissionais.

Nesse cenário, algumas atividades podem deixar de ser executadas manualmente a cada vez e passar a ser auxiliadas, ou realizadas, por ferramentas desenvolvidas especificamente para o fluxo de trabalho da empresa.

Onde o tempo de um escritório de projetos é consumido?

Tarefas repetitivas

Determinadas operações precisam ser realizadas dezenas ou centenas de vezes durante o desenvolvimento dos projetos.

Padronização

Processos manuais executados por diferentes profissionais podem apresentar pequenas variações. Ferramentas internas ajudam a aplicar um mesmo procedimento de forma consistente.

Prazos

Os projetos precisam ser produzidos com qualidade dentro de prazos cada vez menores.

Integração das informações

Projetos BIM trabalham com grande quantidade de parâmetros, elementos, modelos e documentos que precisam permanecer organizados.

O maior ganho não está necessariamente em automatizar uma tarefa complexa. Muitas vezes, uma tarefa simples executada centenas de vezes oferece uma oportunidade muito maior de produtividade.

O que significa automatizar um processo BIM?

Automação BIM é o uso de scripts, plugins, aplicativos e integrações para executar ou auxiliar tarefas relacionadas à modelagem, documentação, organização de informações e compatibilização de projetos.

O objetivo não é automatizar tudo. Na Carnot, uma tarefa passa a ser candidata à automação quando reúne, ao mesmo tempo:

  • repetição da atividade;
  • ganho potencial de tempo;
  • necessidade de padronização;
  • volume suficiente de utilização;
  • possibilidade técnica de desenvolvimento.

Por isso o tema conversa diretamente com o que fazemos em compatibilização BIM e nas demais disciplinas: quando o processo é repetível e mensurável, ele pode ser apoiado por uma ferramenta.

Como é possível programar no Revit?

Dynamo

Permite criar rotinas por meio de programação visual e pode ser utilizado para automatizar diferentes operações dentro do fluxo BIM.

Python

Pode ser utilizado em scripts e automações, com maior flexibilidade para expressar a lógica de cada rotina.

C#

Uma das linguagens utilizadas para desenvolver plugins e aplicações integradas à API do Revit.

Dynamo → Python → C#. A sequência reflete, de modo geral, o grau de programação envolvido, e não qual alternativa é melhor: cada uma tem aplicações e níveis de complexidade diferentes.

Por que a Carnot começou a desenvolver ferramentas próprias?

A Carnot desenvolveu ferramentas internas a partir de necessidades encontradas em seu próprio fluxo de projetos, incluindo rotinas para modelagem de instalações sanitárias, alvenaria estrutural, documentação e outros processos.

O desenvolvimento surgiu principalmente de duas necessidades.

Padronização

Garantir que determinadas tarefas fossem executadas com critérios e procedimentos consistentes entre os diferentes projetos.

Produtividade

Reduzir o tempo necessário para operações que precisavam ser realizadas repetidamente durante o desenvolvimento dos projetos.

Ao observar tarefas que se repetiam constantemente no desenvolvimento dos projetos, na Carnot passamos a avaliar quais delas poderiam ser transformadas em ferramentas. O objetivo não era desenvolver software por desenvolver, mas resolver problemas reais encontrados pela própria equipe durante a produção.

  1. Problema real
  2. Processo repetitivo
  3. Ferramenta
  4. Ganho de produtividade

O que é a Carnot Suite?

A Carnot criou uma suíte interna de ferramentas para o Autodesk Revit. Ela não é um produto comercial: reúne soluções que nasceram de necessidades encontradas no processo produtivo do próprio escritório.

Na época da palestra, a Carnot Suite reunia 74 funções voltadas à modelagem, documentação e compatibilização.

74
funções
Modelagem · Documentação · Compatibilização

Número da versão apresentada na palestra, em 2025.

Que ferramentas a Carnot desenvolveu? Dois exemplos reais

Automatizando a inclinação de tubulações sanitárias

Em instalações sanitárias, as tubulações precisam respeitar inclinações adequadas para o funcionamento correto do sistema. Em um processo inteiramente manual, o projetista precisa ajustar e conferir essas condições durante a modelagem.

Desenvolvemos uma ferramenta para facilitar a criação das tubulações e ajudar a garantir que as inclinações definidas no processo de projeto sejam respeitadas. Com isso:

  • reduzem-se as operações manuais;
  • diminui a repetição;
  • o processo fica mais padronizado;
  • a modelagem se torna mais rápida.

É uma das ferramentas que apoiam o nosso projeto hidrossanitário.

Agilizando o lançamento de paredes de alvenaria estrutural

Modelar repetidamente elementos de alvenaria estrutural envolve uma grande quantidade de operações. Para esse caso, desenvolvemos uma ferramenta que agiliza o lançamento das paredes de alvenaria estrutural no modelo BIM.

O objetivo é reduzir a quantidade de operações manuais necessárias para uma atividade repetitiva, mantendo o processo alinhado ao nosso projeto estrutural.

O ganho acontece na repetição

Uma automação deve ser avaliada não apenas pelo tempo economizado em uma única execução, mas pela quantidade de vezes em que aquela atividade será repetida.

Em algumas rotinas desenvolvidas pela Carnot, uma atividade que manualmente poderia levar aproximadamente 10 minutos passou a ser realizada em cerca de 30 segundos com o auxílio da ferramenta.

Exemplo de uma rotina específica
Processo manual
≈ 10 min
Processo automatizado
≈ 30 s

Este é um exemplo de uma tarefa específica e não representa o ganho de produtividade de todos os processos do escritório. As barras estão em escala.

Se uma tarefa desse tipo precisa ser executada várias vezes, em vários projetos, o ganho deixa de ser de alguns minutos e passa a representar uma quantidade relevante de horas de trabalho ao longo do tempo. É essa multiplicação, e não a economia isolada, que justifica o esforço de desenvolver e manter uma ferramenta.

Outras aplicações mostradas durante a palestra

Projeto elétrico

A suíte também possui ferramentas voltadas ao fluxo de desenvolvimento de projetos elétricos.

Aberturas estruturais e integração com o TQS

Ferramentas relacionadas à criação, identificação ou documentação de aberturas utilizadas na interação entre o modelo estrutural no Revit e o fluxo de trabalho no TQS.

Compatibilização e Navisworks

Informações e comentários provenientes da análise de compatibilização no Navisworks aparecem associados ao processo. Esse tipo de integração procura aproximar a identificação de interferências do ambiente em que o projetista trabalha.

Padronização dos nomes dos arquivos

ES01 – Planta de Locação R00.dwgES01 – Planta de Locação R00.pdf

Tarefas simples, como a nomenclatura de arquivos, também são boas candidatas à automação: são repetitivas, precisam seguir um padrão, estão sujeitas a erro manual e acontecem constantemente.

Integração com o Notion

Informações mantidas em uma ferramenta externa alimentam dados do projeto no Revit. O ponto central: automação BIM trabalha não apenas com geometria, mas também com informação.

Como decidir o que vale a pena automatizar?

Impacto × complexidade

Para decidir o que automatizar, cruzamos o impacto da tarefa com a complexidade de automatizá-la.

As melhores oportunidades geralmente aparecem em tarefas de alto impacto e baixa ou média complexidade de automação.

O impacto considera a frequência e as repetições da atividade, a duração da atividade e a quantidade de usuários que executam o processo. A complexidade considera principalmente a dificuldade de desenvolvimento e o tempo necessário para criar e manter a ferramenta.

Desenvolver ou comprar?

  1. Existe realmente uma necessidade?
    Não Não desenvolver.
    Sim Seguir adiante.
  2. Já existe uma solução no mercado?
    Não Avaliar o desenvolvimento.
    Sim Seguir adiante.
  3. A solução existente atende e é economicamente viável?
    Não Avaliar uma solução própria.
    Sim Utilizar ou contratar.

A tecnologia deve resolver um problema. Desenvolver uma ferramenta não deve ser um objetivo isolado.

Qual foi a mensagem principal da palestra?

A mensagem apresentada aos engenheiros civis e estudantes durante a 4ª Semana Piauiense de Engenharia Civil foi que o ganho de produtividade em um escritório não depende apenas de trabalhar mais rápido. Ele também pode vir de:

  • revisar processos;
  • identificar repetições;
  • padronizar operações;
  • integrar informações;
  • eliminar trabalhos manuais desnecessários;
  • desenvolver ferramentas para problemas recorrentes.

É assim que a Carnot trabalha: a tecnologia faz parte do processo de desenvolvimento dos nossos projetos, apoiando o projeto estrutural, o projeto elétrico e o projeto hidrossanitário, enquanto as decisões de engenharia seguem sob responsabilidade técnica dos profissionais. Os projetos complementares e o nosso portfólio mostram o resultado desse trabalho.

Para entender como a integração entre disciplinas evita conflitos antes da obra, leia também quais são as incompatibilidades mais comuns entre estrutura, elétrica e hidrossanitário em uma residência.

Sobre o evento

CampoInformação
Evento4ª Semana Piauiense de Engenharia Civil
Data12 de setembro de 2025
LocalCinema do Rio Poty
CidadeTeresina, Piauí
OrganizaçãoAssociação Brasileira de Engenheiros Civis — ABENC-PI
Público da palestraengenheiros civis e estudantes de Engenharia Civil

A palestra integrou a programação do evento e abordou produtividade, BIM e desenvolvimento de ferramentas aplicadas ao processo de projetos.

Dúvidas frequentes

Perguntas frequentes

O que é automação BIM?

Automação BIM é o uso de scripts, plugins, aplicativos e integrações para reduzir ou auxiliar atividades repetitivas de modelagem, documentação, organização de informações e compatibilização.

Por que automatizar processos BIM?

Processos BIM podem conter tarefas que se repetem dezenas ou centenas de vezes. Automatizar parte dessas operações pode aumentar a produtividade, melhorar a padronização e liberar tempo dos profissionais para atividades que exigem análise técnica.

Como a Carnot utiliza automação?

A Carnot desenvolveu ferramentas internas a partir de necessidades encontradas em seu próprio fluxo de projetos, incluindo rotinas para modelagem de instalações sanitárias, alvenaria estrutural, documentação e outros processos.

A automação substitui a conferência técnica do projetista?

Não. As ferramentas automatizam parte da operação de modelagem, e a definição técnica continua sendo responsabilidade do projetista.

Reduzir 10 minutos para 30 segundos vale para todas as tarefas?

Não. É o exemplo de determinadas rotinas automatizadas pela Carnot e não representa o ganho de produtividade de todos os processos do escritório.

Como decidir o que vale a pena automatizar?

A Carnot cruza o impacto da tarefa (frequência, duração e número de usuários) com a complexidade de automatizá-la (dificuldade de desenvolvimento e tempo para criar e manter a ferramenta). As melhores oportunidades costumam ser as de alto impacto e baixa ou média complexidade.

Autor

José de Moura

Sócio-fundador da Carnot Engenharia, empresa de projetos de engenharia em Teresina (PI). Conheça a equipe.

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