Como tecnologia, programação e automação podem transformar o fluxo de trabalho de um escritório de projetos de engenharia? Na 4ª Semana Piauiense de Engenharia Civil, José de Moura apresentou exemplos práticos de ferramentas desenvolvidas pela Carnot Engenharia para aumentar a produtividade, padronizar processos e reduzir atividades repetitivas dentro do ambiente BIM.

Tecnologia como ferramenta de produtividade na engenharia
A mensagem central da apresentação não era ensinar programação. Era mostrar a engenheiros civis e estudantes que tecnologia pode ser usada como ferramenta para tornar um escritório de projetos mais produtivo.
A realidade de um escritório de engenharia é conhecida: projetos cada vez mais complexos, grande volume de informações, prazos reduzidos, tarefas que se repetem e a necessidade de manter consistência entre projetos e entre profissionais.
Nesse cenário, algumas atividades podem deixar de ser executadas manualmente a cada vez e passar a ser auxiliadas, ou realizadas, por ferramentas desenvolvidas especificamente para o fluxo de trabalho da empresa.
Onde o tempo de um escritório de projetos é consumido?
Tarefas repetitivas
Determinadas operações precisam ser realizadas dezenas ou centenas de vezes durante o desenvolvimento dos projetos.
Padronização
Processos manuais executados por diferentes profissionais podem apresentar pequenas variações. Ferramentas internas ajudam a aplicar um mesmo procedimento de forma consistente.
Prazos
Os projetos precisam ser produzidos com qualidade dentro de prazos cada vez menores.
Integração das informações
Projetos BIM trabalham com grande quantidade de parâmetros, elementos, modelos e documentos que precisam permanecer organizados.
O maior ganho não está necessariamente em automatizar uma tarefa complexa. Muitas vezes, uma tarefa simples executada centenas de vezes oferece uma oportunidade muito maior de produtividade.
O que significa automatizar um processo BIM?
Automação BIM é o uso de scripts, plugins, aplicativos e integrações para executar ou auxiliar tarefas relacionadas à modelagem, documentação, organização de informações e compatibilização de projetos.
O objetivo não é automatizar tudo. Na Carnot, uma tarefa passa a ser candidata à automação quando reúne, ao mesmo tempo:
- repetição da atividade;
- ganho potencial de tempo;
- necessidade de padronização;
- volume suficiente de utilização;
- possibilidade técnica de desenvolvimento.
Por isso o tema conversa diretamente com o que fazemos em compatibilização BIM e nas demais disciplinas: quando o processo é repetível e mensurável, ele pode ser apoiado por uma ferramenta.
Como é possível programar no Revit?
Dynamo
Permite criar rotinas por meio de programação visual e pode ser utilizado para automatizar diferentes operações dentro do fluxo BIM.
Python
Pode ser utilizado em scripts e automações, com maior flexibilidade para expressar a lógica de cada rotina.
C#
Uma das linguagens utilizadas para desenvolver plugins e aplicações integradas à API do Revit.
Dynamo → Python → C#. A sequência reflete, de modo geral, o grau de programação envolvido, e não qual alternativa é melhor: cada uma tem aplicações e níveis de complexidade diferentes.
Por que a Carnot começou a desenvolver ferramentas próprias?
A Carnot desenvolveu ferramentas internas a partir de necessidades encontradas em seu próprio fluxo de projetos, incluindo rotinas para modelagem de instalações sanitárias, alvenaria estrutural, documentação e outros processos.
O desenvolvimento surgiu principalmente de duas necessidades.
Padronização
Garantir que determinadas tarefas fossem executadas com critérios e procedimentos consistentes entre os diferentes projetos.
Produtividade
Reduzir o tempo necessário para operações que precisavam ser realizadas repetidamente durante o desenvolvimento dos projetos.
Ao observar tarefas que se repetiam constantemente no desenvolvimento dos projetos, na Carnot passamos a avaliar quais delas poderiam ser transformadas em ferramentas. O objetivo não era desenvolver software por desenvolver, mas resolver problemas reais encontrados pela própria equipe durante a produção.
- Problema real
- Processo repetitivo
- Ferramenta
- Ganho de produtividade
O que é a Carnot Suite?
A Carnot criou uma suíte interna de ferramentas para o Autodesk Revit. Ela não é um produto comercial: reúne soluções que nasceram de necessidades encontradas no processo produtivo do próprio escritório.
Na época da palestra, a Carnot Suite reunia 74 funções voltadas à modelagem, documentação e compatibilização.
Número da versão apresentada na palestra, em 2025.
Que ferramentas a Carnot desenvolveu? Dois exemplos reais
Automatizando a inclinação de tubulações sanitárias
Em instalações sanitárias, as tubulações precisam respeitar inclinações adequadas para o funcionamento correto do sistema. Em um processo inteiramente manual, o projetista precisa ajustar e conferir essas condições durante a modelagem.
Desenvolvemos uma ferramenta para facilitar a criação das tubulações e ajudar a garantir que as inclinações definidas no processo de projeto sejam respeitadas. Com isso:
- reduzem-se as operações manuais;
- diminui a repetição;
- o processo fica mais padronizado;
- a modelagem se torna mais rápida.
É uma das ferramentas que apoiam o nosso projeto hidrossanitário.
Agilizando o lançamento de paredes de alvenaria estrutural
Modelar repetidamente elementos de alvenaria estrutural envolve uma grande quantidade de operações. Para esse caso, desenvolvemos uma ferramenta que agiliza o lançamento das paredes de alvenaria estrutural no modelo BIM.
O objetivo é reduzir a quantidade de operações manuais necessárias para uma atividade repetitiva, mantendo o processo alinhado ao nosso projeto estrutural.
O ganho acontece na repetição
Uma automação deve ser avaliada não apenas pelo tempo economizado em uma única execução, mas pela quantidade de vezes em que aquela atividade será repetida.
Em algumas rotinas desenvolvidas pela Carnot, uma atividade que manualmente poderia levar aproximadamente 10 minutos passou a ser realizada em cerca de 30 segundos com o auxílio da ferramenta.
Este é um exemplo de uma tarefa específica e não representa o ganho de produtividade de todos os processos do escritório. As barras estão em escala.
Se uma tarefa desse tipo precisa ser executada várias vezes, em vários projetos, o ganho deixa de ser de alguns minutos e passa a representar uma quantidade relevante de horas de trabalho ao longo do tempo. É essa multiplicação, e não a economia isolada, que justifica o esforço de desenvolver e manter uma ferramenta.
Outras aplicações mostradas durante a palestra
Projeto elétrico
A suíte também possui ferramentas voltadas ao fluxo de desenvolvimento de projetos elétricos.
Aberturas estruturais e integração com o TQS
Ferramentas relacionadas à criação, identificação ou documentação de aberturas utilizadas na interação entre o modelo estrutural no Revit e o fluxo de trabalho no TQS.
Compatibilização e Navisworks
Informações e comentários provenientes da análise de compatibilização no Navisworks aparecem associados ao processo. Esse tipo de integração procura aproximar a identificação de interferências do ambiente em que o projetista trabalha.
Padronização dos nomes dos arquivos
ES01 – Planta de Locação R00.dwgES01 – Planta de Locação R00.pdfTarefas simples, como a nomenclatura de arquivos, também são boas candidatas à automação: são repetitivas, precisam seguir um padrão, estão sujeitas a erro manual e acontecem constantemente.
Integração com o Notion
Informações mantidas em uma ferramenta externa alimentam dados do projeto no Revit. O ponto central: automação BIM trabalha não apenas com geometria, mas também com informação.
Como decidir o que vale a pena automatizar?
Impacto × complexidade
Para decidir o que automatizar, cruzamos o impacto da tarefa com a complexidade de automatizá-la.
As melhores oportunidades geralmente aparecem em tarefas de alto impacto e baixa ou média complexidade de automação.
alta complexidadeAvaliar caso a caso
baixa ou média complexidadeMelhores oportunidades
alta complexidadeRaramente compensa
baixa complexidadeGanho limitado
O impacto considera a frequência e as repetições da atividade, a duração da atividade e a quantidade de usuários que executam o processo. A complexidade considera principalmente a dificuldade de desenvolvimento e o tempo necessário para criar e manter a ferramenta.
Desenvolver ou comprar?
- Existe realmente uma necessidade?Não Não desenvolver.Sim Seguir adiante.
- Já existe uma solução no mercado?Não Avaliar o desenvolvimento.Sim Seguir adiante.
- A solução existente atende e é economicamente viável?Não Avaliar uma solução própria.Sim Utilizar ou contratar.
A tecnologia deve resolver um problema. Desenvolver uma ferramenta não deve ser um objetivo isolado.
Qual foi a mensagem principal da palestra?
A mensagem apresentada aos engenheiros civis e estudantes durante a 4ª Semana Piauiense de Engenharia Civil foi que o ganho de produtividade em um escritório não depende apenas de trabalhar mais rápido. Ele também pode vir de:
- revisar processos;
- identificar repetições;
- padronizar operações;
- integrar informações;
- eliminar trabalhos manuais desnecessários;
- desenvolver ferramentas para problemas recorrentes.
É assim que a Carnot trabalha: a tecnologia faz parte do processo de desenvolvimento dos nossos projetos, apoiando o projeto estrutural, o projeto elétrico e o projeto hidrossanitário, enquanto as decisões de engenharia seguem sob responsabilidade técnica dos profissionais. Os projetos complementares e o nosso portfólio mostram o resultado desse trabalho.
Para entender como a integração entre disciplinas evita conflitos antes da obra, leia também quais são as incompatibilidades mais comuns entre estrutura, elétrica e hidrossanitário em uma residência.
Sobre o evento
| Campo | Informação |
|---|---|
| Evento | 4ª Semana Piauiense de Engenharia Civil |
| Data | 12 de setembro de 2025 |
| Local | Cinema do Rio Poty |
| Cidade | Teresina, Piauí |
| Organização | Associação Brasileira de Engenheiros Civis — ABENC-PI |
| Público da palestra | engenheiros civis e estudantes de Engenharia Civil |
A palestra integrou a programação do evento e abordou produtividade, BIM e desenvolvimento de ferramentas aplicadas ao processo de projetos.



